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Umbanda: Magia Brasileira – Como funcionam as sessões?

22 fevereiro 2012

Dando continuidade a série sobre a Umbanda, vamos explicar como funcionam as sessões na maioria das vertentes a qual tenho conhecimento. Talvez exista alguma variação de uma Tenda para outra, mas no geral, essa é a ritualística aplicada. Se na sua casa utilizam algum detalhes diferente que você considera importante, por favor, compartilhe conosco.

O texto abaixo é de autoria de Matheus de Noronha, um dos colegas do Projeto Mayhem e autor do blog Caixa de Pandora.

Boa Leitura.

Saravá!

——-

Como ocorrem as sessões de Umbanda?

Caro amigo,

Os procedimentos mudam de casa em casa. Como a Umbanda não possuí um comando central no plano físico, ao exemplo da Igreja Católica Apostólica Romana, cada centro é livre para organizar suas atividades.

Ilustração de Passes e Pontos de Firmeza

Alguns centros preferem não trabalhar com as legiões de Exu, ou pelo menos não trabalham com eles nas sessões abertas de atendimento. Este grupo em geral é conhecido, mesmo que não corretamente como “Umbanda Branca”. Indiferente de certos ou não, existem! Os outros centros, que são a maioria, trabalham com todas as legiões e vibrações de espíritos que se apresentem, são conhecidos como “Umbanda Cruzada”; nestes locais as entidades de “grupos menores” ou menos conhecidas adequam suas energias e passam a trabalhar em um grupo de vibração mais próxima. Isto pode ficar claro ao verificar um “Boiadeiro” trabalhando em uma sessão de Oxóssi. Quando a casa não esta preparada para ter um momento específico para os boiadeiros eles são forçados a trabalharem em outro grupo ja constituido na cultura do centro. Ainda neste exemplo vais ver muitos centros que não sabem ou não estão preparados, ou ainda preferem não trabalhar com entidades ciganas e suas formas; e portanto os ciganos trabalharão provavelmente nas sessões de exu.

Ilustração de um Congá

Você perceberá que alguns detalhes deveriam ser os mesmos em todas as casas, como a presença de um altar ou no vocabulário cultural da Umbanda um “Congá”, que é o centro de força principal do terreiro. Ali estarão representadas as forças e vibrações que trabalham no local, poderão ter inúmeros itens, desde imagens e pontos riscados, à velas, perfumes, flores, objetos de toda natureza. Os centros possuem um local próximo onde ficam os “ogãs” ou simplesmente cantores. O grupo responsável por conduzir os cânticos ou “pontos cantados”, que são as músicas utilizadas para ordenar as vibrações. Todo centro possuí uma disposição onde se pode observar os trabalhos de qualquer lugar do terreiro, e no geral tem um espaço reservado aos visitantes denominado de assistência.

O rito, ou a condução dos trabalhos mudam conforme cada casa, mas no geral seguem uma mínima sequência lógica:

A preparação do altar e dos centros de força, em geral com pontos riscados com pemba e velas. são focos de energia que serão importantes durante os trabalhos.

Os pontos cantados iniciais, que saudam as grandes forças da criação, muitas vezes começam por um ponto de Oxalá.

As orações de abertura, o Pai Nosso e a Ave Maria, mesmo de origem católica são largamente usados.

Os pontos “das cabeças da casa” são os pontos cantados que evocam e invocam os mentores dos chefes espirituais da casa, pedindo permissão para o início das atividades. Seguem as vibrações de todas as entidades auxiliares do centro.

Os pontos de defesa e proteção, pedindo defesas ao grupo como um todo; muito usados os pontos de Santo Antônio.

A descarga. Tanto com pontos cantados próprios quanto com a defumação, as vezes com pontos de fogo (pólvora) e outras formas de dissolver os miasmas e criações do baixo astral que acompanham os presentes.

A abertura propriamente das atividades do dia vem em seguida com os momentos relacionados as entidades de culto/trabalho do dia. São conduzidos os pontos de vibração, que servem para a aproximação fluídica dos médiuns, ato realizado por suas entidades, criando-se um momento de conexão. Muitas vezes o chefe da casa (entidade) ja incorporou e prefere conduzir pessoalmente deste momento em diante. E os pontos de “incorporação”momento onde as entidades tomam o controle do aparelho físico de seus médiuns.

Médiuns em uma Corrente

No geral existe um período onde estas entidades ficarão vibrando suas atividades pessoais, as responsabilidades de suas legiões e falanges, descarregarão mais um pouco seus aparelhos mediunicos e firmarão suas energias. Cada vez menos se percebe, mas nas casas mais tradicionais cada entidade ao incorporar vai imediatamente saudar as energias do altar central, depois à porta e toda a criação que esta depois do centro, bem como os guardiões “da rua”; vão saudar o chefe da casa, e então se direcionam a um local no terreiro onde vão atender as pessoas. Elas ali gravam seu ponto riscado em uma tábua, firmam uma ponteira de aço e uma vela (ai quase sempre branca) e um copo com água, pura, com sal ou com mel, conforme os trabalhos e a entidade. Se perceber, o que a entidade fez foi criar seu próprio centro de força além do da casa.

Nota deste blog: Os pontos de firmeza narrados acima nem sempre são utilizados. Quando o médium já trabalha a algum tempo na mesma casa, as vezes este “assenta” sua entidade no Congá da casa, utilizando uma imagem da mesma. Esse assentamento pode ser usado para substituir o ponto de firmeza utilizado pela entidade.

Na imensa maioria das vezes é neste momento que os atendimentos são feitos. As pessoas da assistência são convidadas a ingressarem na área de trabalhos da “corrente’” e a escolherem alguma das entidades para sua conversa. Nesta consulta a entidade também começa por conduzir uma limpeza aurica no consulente, de diversas formas, e posteriormente em questionar-lhe os motivos da consulta.

Ilustração da Assistência em um Terreiro de Umbanda

Muito mais se poderia dizer, mas tudo muda MUITO de centro para centro. Mas, no geral é isto. Depois de todos atendidos, os ritos de limpeza final com o intuito de destruir as cargas que foram retiradas das pessoas atendidas e que permanecem no local. O momento de afastamento das vibrações e desincorporação, a liberação dos médiuns e os ritos de encerramento, de forma tradicional são feitos novamente em grupo e com um culto rápido de agradecimento das forças superiores, uma saudação mútua entre todos e o altar principal e os pontos de encerramento no astral das atividades. isto constituí um encerramento energético da sessão e libera as vibrações utilizadas.

Uma ótima caminhada!

Fé.’.

4 Comentários leave one →
  1. 23 fevereiro 2012 11:39

    Que “coincidência” não? Você postou este texto sobre a Umbanda no mesmo dia que eu postei no TdC o texto sobre a Música na Umbanda…
    Ótimo texto Peterson!

    Abraços,
    Fabio

    • 23 fevereiro 2012 12:04

      É a egrégora trabalhando!

      Aproveito para dizer que replicarei seu post por aqui na coluna Umbanda: Magia Brasileira.

      Paz & Luz

  2. 19 março 2012 9:16

    Por que em alguns centros não podemos entrar com calçados e objetos metálicos?

    • 20 março 2012 19:45

      Priscila,

      Com relação aos calçados existem diversos fundamentos, dentre eles, a questão do respeito pelo espaço “santo”, de higiene ou até mesmo para facilitar o aterramento de energias negativas.

      Quanto as moedas, creio que também seja pelo magnetismo de energias.

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